Mais uma vez vou fazer aniversário, (domingo) e estou longe da minha terra. É certo que o Rio de Janeiro é para mim a segunda morada, a mais linda cidade do mundo geograficamente falando,não conheço outra tão formosa e acolhedora. Diria até que a cidade é uma mulher que me aconchegou e me deu colo na medida do possível, em todas as minhas carências, como uma segunda mãe.Mesmo assim, sinto saudades de Belém, muitas, por isto vivo cercada das nossas comidas típicas, tomo muito açaí para compensar a falta do cheiro das mangueiras, do patchouli e da priprioca que fazem perfumes inigualáveis. Sinto falta da chuva da tarde que sempre refresca o calor úmido e faz as noites mais amenas. Sinto falta do cheiro do tucupí das tacacazeiras e de olhar a correnteza forte da Baia do Guajará...do filhote e dos outros peixes de água doce, e , se nao parar de escrever vou repetir em prosa interminável, tudo que já se sabe de BELÉM (que é linda!).
Saudades de Belém
Mais uma vez vou fazer aniversário, (domingo) e estou longe da minha terra. É certo que o Rio de Janeiro é para mim a segunda morada, a mais linda cidade do mundo geograficamente falando,não conheço outra tão formosa e acolhedora. Diria até que a cidade é uma mulher que me aconchegou e me deu colo na medida do possível, em todas as minhas carências, como uma segunda mãe.Mesmo assim, sinto saudades de Belém, muitas, por isto vivo cercada das nossas comidas típicas, tomo muito açaí para compensar a falta do cheiro das mangueiras, do patchouli e da priprioca que fazem perfumes inigualáveis. Sinto falta da chuva da tarde que sempre refresca o calor úmido e faz as noites mais amenas. Sinto falta do cheiro do tucupí das tacacazeiras e de olhar a correnteza forte da Baia do Guajará...do filhote e dos outros peixes de água doce, e , se nao parar de escrever vou repetir em prosa interminável, tudo que já se sabe de BELÉM (que é linda!).
O que alguns homens pensam...


Sempre tive muitos amigos homens, e, talvez por ser de uma familia onde predomina o sexo masculino (4 irmãos, 3 filhos, vários primos) e conviver muito com eles, fui sempre tratada quase como um rapazinho, ou seja, eles falavam de tudo na minha frente como se eu fosse um deles, ainda hoje é assim. Noite dessas, ouvi mais uma e achei tão engraçado que resolvi postar. Um de meus amigos filosofando sobre as mulheres e os seus (dele) relacionamentos amorosos, resumiu suas dificuldades com o chamado "sexo frágil" e que numa enquete empírica feita por mim, foi confirmada por outros homens. Vamos lá:
É bom que se esclareça que meu amigo está na casa dos "enta" e não tem preconceito contra mulheres mais maduras. Disse ele o seguinte:
As mulheres disponíveis até os 38 anos, tem filhos pequenos e muita dificuldade para vivenciar um novo amor, não tem com quem deixar os filhos para sair na night ou até para um romantico fim de semana viajando, é complicadissimo!
As mulheres de até 50 anos, já tem os filhos adolescentes, mas, o seu foco está voltado para o lado financeiro, carreira profissional e uma boa aposentadoria (as mulheres se preocupam com o futuro)é executiva ,viaja muito , estuda, enfim não tem muito tempo para namoros. Finalmente a terceira categoria,acima de 50 anos, e ,para meu amigo a mais problemática: a das avós recentes! estas, além de se preocuparem com os filhos (adultos jovens) se voltam para cuidar e "babar" os netos, viram verdadeiras amas-secas!!! Enfim, ri muito, mas, tive que concordar, e como a maioria dos homens quer mais é um colinho feminino, os romances estão ficando complicados. Estas considerações não acabam aqui, minhas amigas tem direito a réplica, ok?
Maestro Waldemar Henrique


Mês de fevereiro, é um mês de aquarianos e de piscianos,e ,entre os paraenses ilustres tem um aquariano da melhor estirpe do qual eu já falei em postagem do ano passado, mas, sinto que eu fiquei devendo um pouco mais de honrarias a ele, Maestro Waldemar Henrique, então resolvi pedir ao José Carlos Gondim ator e jornalista que escrevesse um pequeno texto, como uma carinhosa homenagem a esta figura tão querida em Belém e que faria aniversário nos próximos dias, aí vai o texto do Zé:
"Em Belém tem uma sala de espetáculos, o Teatro Experimental do Pará Waldemar Henrique, lindo na sua arquitetura eclética do início do século XX e reformado nas suas linhas originais em 1997, final do mesmo século.E centro de atividades teatrais alternativas ao 'grande' teatro.A base são a experimentação e o apoio a grupos que nao tem cacife para ocupar as salas da cidade que são caras e quase indisponíveis. Tive a honra de ter sido diretor do teatro nessa época (1995 a 1998), indicado pelo então Secretário de Cultura, Paulo Chaves, por sugestão do meu amigo e professor(porque não dizer guru)Amir Haddad. Foi uma experiência díficil mas muito positiva...Bom, mas a questão é outra, quem é ou quem foi Waldemar Henrique? Waldemar amigo querido e Maestro, compositor e instrumentista (não digo único porque existem e existiram alguns da mesma cepa, mas ele era muito especial)um ser humano voltado (e engajado)na melhoria ética e cidadã dos outros seres humanos por meio da música.Doce como ele só, inteiro como ele só, a própria Música, acho que ele tinha sempre um Tamba-Tajá plantado no seu coração. Mas também conhecia bem as mundiações da Matintaperera,claro...o espaço é mínimo para falar do Waldemar, não tem combate... Ele é um universo enorme. Quem quiser saber mais dele, busque em todos os sites. Um dia desses, num espetáculo das Cantadeiras em São Pedro da Serra (em Friburgo,RJ)ouvi TambaTajá e pirei: ninguém sabia quem era o autor e, muito menos que ele era paraense. Enfim, acho que ele merece um reconhecimento mundial pela sua obra magnífica e amazônica. Procure a discografia dele, você vai se surpreender!"
As Amazonas


Tenho grande orgulho de pensar que sou descendente das Amazonas...embora, seja uma lenda, gosto de imaginar que elas existiram, mulheres guerreiras que andavam a cavalo disparando flechas e que tinham no meio da selva amazonica para mais de 70 aldeias.Para procriar, elas escolhiam guerreiros de tribos comuns e em período fértil elas ficavam com eles até se saberem gravidas, depois os presenteavam com o Muiraquitã e os mandavam de volta as suas tribos. Se lhe nasciam filhos homens os mandavam para serem criados pelos pais, ficando somente com as filhas , a quem ensinavam as artes da guerra. O Rio Amazonas teve seu nome originado por essas mulheres que atacaram o espanhol Francisco Orellana e que levou a história delas para a Europa.
Frutas da Estação em Belém

Não conheci meu avô Jacob, chegou rapazinho em Belém ,vindo da Síria, de uma região (Sydon) que hoje faz parte do Líbano, morreu antes que eu nascesse,mas,conheço mais histórias dele do que do outro avô que descendia de espanhóis e veio do Ceará da familia Ximenes de Aragão. Meu avó Jacob, foi mascate e vendia 'de um tudo' como se diz em Belém, isto antes de ficar rico, pois depois criou a primeira fábrica de móveis do estado e empregou todo seu dinheiro em erguer casas. Pois bem, ele dizia com sua língua enrolada para meu irmão (seu neto) "bassa para dentro meu filha Roberto" rsrs..e sobre nossas frutas admiradas por ele, que trocou as Tâmaras pelo Cupuaçú, mas não esqueceu das Raleuas e beleuas (doces do oriente)que em Belém devia-se ter cuidado com as comidas pois eram tão saborosas que morria-se por elas. Ele tinha razão, nesta época do ano, temos uma fartura de pupunhas, bacuris, cupuaçús, graviolas,e mais uma grande quantidade de deliciosas frutas, por isto em minha cidade é díficil ver alguém magrinho, só se for de seu 'calibre' como se diz lá para um biotipo mais esguio. Mas,naquela época não era moda mulheres anoréxicas , principalmente para os imigrantes vindos do oriente que gostavam de mulheres que enchiam as camas...rs.
Janeiro em Belém: mangas e chuva


Em Belém chove em janeiro, mas com a chuva Deus também manda mangas e elas caem em nossas cabeças...calma...nada demais, elas nao ferem.Perfumam! e recebi um lindo poema de Tiana Ribeiro que se chama "Mangando" o termo pode ser usado também para expressar que estamos ironizando algo, mas, aqui é pura poesia sobre o hábito Belemense de apanhar manga nas ruas quando chove e chupa-las com gosto, até o caroço!aqui vai um trecho do poema:
MANGANDO-Tiana Ribeiro
Eu mango,tu mangas, ele manga
Nós mangamos (e nos lambuzamos)
Vós mangais (e vós lambuzais com os mangueirais dos quintais
dos mangais dos mangueizais dos etc e tais)
É que em Belém na informalidade de nossas casas, ninguém corta com faca as mangas, chupamos tudo até a parte de dentro das cascas das mangas, assim somos nós.
Dia de Reis
Pois é, com o dia de Reis ,hoje, acabou o período natalino. Hoje teríamos que comer romã, uma fruta que nao é de Belém do Pará, para termos sorte no novo Ano. Esqueci...tomara não aconteça de perder toda a sorte que sempre tive na vida..rs..o Zé Carlos Gondim resolvendo experimentar seu lado de fotografo , enviou-me estes finais de tarde em nossa santa terrinha e mandou também uma matéria que encomendei a ele sobre o nosso grande Maestro Waldemar Henrique, que eu vou postar daqui há mais uns dias,certo? ele o conheceu bem e foi Diretor do Teatro que leva o nome de nosso ilustre conterrâneo.É esperar para conferir...
Primeira Ressaca de 2011


A volta de Copacabana "o reveillon mais famoso do Brasil" foi assim: parada na padaria para uma 'média com pão e manteiga' antes de voltar para casa e dormir para se refazer da ressaca!!muito bacalhau, camarão e lentilha para dar sorte no ano que começa. No bar, a companhia de outros boemios que voltavam tambem da praia, gente de todo lugar do Brasil, cansados mas felizes.
VELOCIDADE


Já nascemos perdendo, perdemos as lindas bochechas infantis e vamos como num comercial antigo e como atualmente um truque de computador, nos transformando em adultos e deixando para trás os pedaços de nós. Isto só para não falar de cara das perdas que temos ao longo da vida: primeiro amor, segundo amor, amores eternos, amigos,etc, etc e familia...alguns tem a sorte de verem os pais fazendo 50 anos juntos e aí já é uma sorte e tanto, outros como eu foram perdendo pedaços do coração cedinho, a mãe aos 5 anos, irmãos, amor,muitos amigos,irmão de novo, parentes queridos que fizeram parte da vida, e por aí afora! isto não é drama, até porque aprendi com meu terapeuta(tb perdido) que nascemos sós e vamos continuar assim até morrer, temos que aceitar isto, mesmo eu que nasci com uma irmã gemea que perdi de cara...e a velocidade da vida é total,nada pára(desculpa a reforma ortográfica).O mundo gira e finalmente neste ano, perdi o pai, perda para a qual vinha me preparando para acontecer. E assim são as viradas de ano que os romanos inventaram ou foram os gregos?novamente verei junto a amigos os lindos fogos de Copacabana,que alguns poucos anos atrás vi em companhia de pessoas que partiram.Não tenho nenhum medo de morrer, suguei da vida tudo que ela me mostrou, sou daquelas que não deixa passar o cavalo da oportunidade sem monta-lo e tenho cavalgado bem, só tenho lucros, se deixar de contabilizar estas perdas faladas antes, então que venha 2011...o único pedido que faço é saúde, o resto todo é lucro. Um ótimo 2011 a todos os meus leitores e muita sorte.
Nem Bom ,Nem mal...comercial

Não vou arriscar com números e percentuais, mas ,a grande maioria dos amigos e conhecidos não gosta do Natal, aliás, não é a toa que muita gente fica estressada neste período.Todas as pessoas que tenho intimidade para 'ouvir' a verdade, se disseram cansadas das maratonas que tiveram de cumprir no dia 24 e 25 deste mês e que na verdade nós é imposta pela sociedade materialista, consumista e falsa que "nos obriga" aos rituais de passagem de ano e que "vamos combinar?" ,só tem graça mesmo quando se é criança, que aliás é quando a cultura começa a nos impor as regras do mês de dezembro: comprar um monte de presentes, participar de dezenas de caixinhas, e para não falar de tudo que vocês já sabem em nome do nascimento de Jesus ,que convenhamos é o menos homenageado.Temos que fazer maratonas intermináveis de visitas a pais, avós, madrinhas e tudo o mais que jamais deveria ser obrigatório e sim um ato de prazer, e que se poderia fazer ao longo do ano e de maneira espontânea...o que seria menos artificial, não é não? Em 2011,se viva estiver, estou fora! passarei a data conhecendo por exemplo, o deserto de Atacama, o Tibet, as muralhas da China, ou em outro qualquer lugar que o celular fique fora de área e a conexão com a Internet seja bem díficil...ahahahaha!!!!
ESTUDANTINA-82 anos



Impossível descrever o que siginifica o aniversário da "Velha-Moça Estudantina", só os amantes da dança entendem...Ontem foi o baile de aniversário da única GAFIEIRA do Rio de Janeiro e quiçá do Brasil, lugar de muita tradição e carioquice pura, minha professora Stellinha foi homenageada e o meu parceiro Alceu e sua mulher Márcia dançaram ao som do chorinho "Na Glória" foi uma noite alegre e de confraternização da dança de salão, o lema da Estudantina é "Enquanto houver dança ,há esperança".
Dezembro em Belém!


Neste período, começa a chover em Belém, não pensem que são chuvas diluvianas, não! são as chuvas finas as vezes o dia inteiro, as vezes só na parte da tarde,e embora o calor continue, nós chamamos de o "inverno amazônico". Quando eu era garota e morava na Av. Gov. José Malcher(saudosa s. Jeronimo) eu nunca sabia o que pedir ao Papai Noel, nao gostava muito de bonecas, me desagradava o fato delas não andarem, não falarem, ou seja, quase tudo que elas fazem hoje! enfiava seus lindos olhos azuis para dentro das órbitas transformando-as em quase monstrengas. Gostava mesmo era de bonecas de papel, eu e minhas primas recortavamos as fotos de mulheres das revistas e faziamos modelitos de papel para elas.Aí sim era divertido, depois o mercado criou revistas com bonecas e era mais fácil. Lembro que a casa das minhas bonecas eram folhas de plantas, cada folha era um andar da casa. No reveillon, ficavamos acordados até a meia noite para com pedaços de ferro, martelo e etc, bater nos postes que eram de ferro e faziam um barulhão para anunciar a chegada do ano Novo. Tanto o Natal quanto o dia 31 eram sagrados e se passava junto com as familias. Hoje as coisas mudaram e para mim perderam o sentido e viraram data comerciais. Mas,o jeito é fazer como diz na música do Chico..e.a gente vai levando...
Tá passando depressa ....
Com tanta coisa para fazer, após minha mudança para um novo apartamento, aliás não tem maneira mais rápida de se estressar do que uma mudança, nem tanto pelo trabalho de embalar e desembalar, mas , principalmente por ter que falar com os atendentes dos serviços como Tv a Cabo, Internet, troca de endereço para correspondência junto aos cartões de crédito,que parecem todos uns robôs burocráticos que passam a gente de ramal em ramal... Ufa! cansa só de pensar...se leva pelo menos uma semana para se ter exito nas transferências e enquanto isto vejo tv pelo meu celular e vejo minha correspondência nas lan houses da cidade.Bom só me resta rir, nada melhor para a saúde do que rir de si mesmo. Pelo menos, este ano não fico tão nostálgica e saudosa de tudo, pois o mês de dezembro embora seja primordialmente comercial , só me trás este tipo de sensação. Espero que a linda foto de Maria e Jesus, alegre a todos...
Começa o 'balanço' do ano, inevitável!


Não adianta. Todo mês de dezembro começa nostálgico, comigo é assim, desde que meus filhos cresceram formaram familias e eu fiquei só, físicamente claro!pois embora a distância geográfica entre eu ,eles, e muitas pessoas que fazem 'forever' parte da minha vida,seja grande,'eles estão quase diariamente em meus pensamentos.Este ano de 2010, tem sido marcante por perdas importantes e por me surpreender forte o suficiente para sobreviver a elas.Algumas fotos ilustram alguns momentos,não há espaço e nem há sentido em falar aos meus amigos que acessam meu blog (que não pretende ser um diário pessoal) de tudo o que sinto, mas, um sentimento de adeus é inevitável nesta época do ano...
O meu, o seu, o nosso Tacacá!

Uma gaúcha chamada Vera Mogilka que esteve em Belém em 1964,escreveu esta ODE ao Tacacá que foi publicado no jornal "A Província do Pará" em 16 de fevereiro do mesmo ano e me foi enviada por minha prima M. Célia que pinçou-a com sua sensibilidade literária, assim, como tive o prazer de contar com a foto(linda)de Miguel Chikaoka, um dos melhores do Brasil. Separei alguns trechos da Crônica ,pois embora bela, é longa:
"O tacacá toma-se? bebe-se? sorve-se? saboreia-se?Não, o Tacacá deseja-se de repente, como se deseja uma mulher,como se deseja retornar ao amor da adolescência. O Tacacá possui o toque agudo da saudade. A memória de seu sabor salgado e ardente assalta-nos sem aviso, em pleno dia, em determinadas horas de distração. Naquele momento involuntário de repouso quando, por fim ao cair da tarde sobre o rio, respiramos. Certo e pequeno instante, dezenas de sugestões cruzam a mente. Todos os atos gratuitos e cheios de graça da vida: uma criança correndo na grama, braços em repouso e um regaço, mãe amamentando o filho, avião acendendo e apagando as luzes na bruma da noite, navio singrando a baía, luar úmido sobre igarapés-vontade de tomar tacacá. Desejo de Tacacá. É preciso que haja um banco. Tacacá toma-se sentado para que o corpo repouse e possa se entregar completamente ao prazer de saborea-lo.
Depois, como estamos cansados e queremos esquecer,esperamos.Uma paciência longa e calma, até que a dona do tacacá termine por prepara-lo, é preciso que haja sal e pimenta de cheiro. É preciso saber tomar o tacacá. Aos primeiros sorvos integralmente seu calor, sua salinidade, seu gosto de mar quente, de arbusto e molusco que os lábios experimentam fugidiamente. Chegados ao fim do Tacacá, é preciso que o mesmo ainda se conserve morno, assim como o fim de um amor. Jamais frio. Agora o mais importante: jamais repetir o Tacacá na mesma noite, é preciso permitir-se um resto de fome, um resto de desejo para o dia seguinte,um resto de tristeza instransferível quando então, novamente sentiremos na ponta da língua a subtaneidade acre do tucupí."
Cupu, Cupuaçu
Na Amazônia, temos hábito de comer quase tudo com farinha. Aliás a mandioca da qual ela é feita, é a base da alimentação nossa de cada dia e sendo assim, minha tia e madrinha come até pupunha com a dita cuja!e não pensem que ela é índia ou negra, ela é branquinha como leite..rs!E não adianta se espantar, se você for à Belém,mais cedo ou mais tarde voce vai fazer o mesmo.Então, eu adolescente, costumava tomar até suco de cupuaçú com farinha, é bom demais! Naquela altura faziamos o suco com os caroços de cupú chupados até não sobrar um pedacinho de polpa.Há poucos anos atrás o Brasil teve um sério 'entrevero' com o Japão porque eles tentaram patentear nossa fruta num ato expli cíto de Bio-Pirataria,imagina a indignação que isto causou, felizmente ganhamos na justiça. Hoje em dia a fruta já é comercializada em quase em todo o Brasil. Um chef frances disse que não há combinação mais perfeita do que doce de cupuaçú com chocolate. A fruta com seu cheiro doce forte impregna qualquer alimento da sua geladeira. Ele tem que vir congelado e permanecer assim até ser usado em mousses, geleia e muito mais que sua imaginação permitir.E como ele vem em forma de polpa, as pessoas não conhecem o formato da fruta, então um poeta delicadamente a meu pedido foi ao Ver-o-Pêso registrar sua imagem, Valeu M. Quinan! E saibam quantos lerem este texto que o cupú tem cerca de 25 centímetros e chega a pesar um quilo! sua árvore tem 15 metros de altura e tem em sua composição pectina (substância que atua sobre o mau colesterol)ou seja é um tesouro regional e para uma amiga, leitora assídua do Blog vai esta postagem.Beijocas Márcia...e tem mais, em forma de caipirinha é uma maravilha!!!Tin-Tin...
Açaí sempre Açaí

Vocês vão dizer: de novo a Fátima falando de Açaí!!! eu tava quietinha aqui, até que minha prima me enviou uma crônica de uma jornalista paraense que trabalhou comigo na Tv Liberal, falando do seu ritual pessoal para cometer o que ela chamou de o "Crime Perfeito", olha parecia que ela estava me descrevendo tal a semelhança dos preparativos dela para tomar açaí..rs..a crônica muito bem escrita, descreve com minúcias como se cometer o pecado da Gula e este é o tipo do pecado que se pode cometer sozinha, aliás, deve-se cometer sozinha para não ter que dividir com ninguém! Epa!outro pecado capital: o da avareza, e eu que estudei a vida inteira em colégio de freiras! o que Mestra Maria Alice do Gentil Bittencourt diria lendo isto?...rs..já falei em outra postagem das benesses do açaí, além de maravilhoso, ele tem dezenas de propriedades fantásticas, inclusive é antioxidante. Ele só tem um defeito que ,confesso, tento não pensar: é calórico. Então eu me engano pensando numa reportagem que eu li dizendo que a gente engorda É SE NÃO COMER o que desejamos..rs..aí peço a benção de Nsa. Senhora de Nazaré e tomo cheia de fé nesta teoria, o meu meio litro de açaí com farinha de tapioca, que meus amigos cariocas não conhecem ,por isto coloquei a foto,ou farinha d'agua ,acompanhada de um camaraõzinho bem salgado, ou de um charque grelhado ou de um pirarucú bem tostadinho como faz a Vera (minha amiga jornalista). Ah meu Deus, perdão, mas até a cor do açaí já foi cantada em versos pelo Djavan e hoje já virou mania nacional. Imaginem se o resto do país tivesse o privilégio que nós temos na Amazônia de tomar o açaí fresquinho? aí sim a Igreja teria que abolir a Gula da lista dos pecados capitais. E agora, com licença, porque o açaí causa uma lassidão que só um bom sono resolve...e não me invejem porque também é pecado hein!
Beka- 18/02/49=16/11/81


Vou tentar ter um distanciamento afetivo para falar do homem e artista "BEKA",logo acima mostro que nao conseguirei muito, pois já começo com o chorinho que ele compôs para mim e do qual muito me orgulho! Pois é, hoje faz 29 anos que ele morreu e durante todos estes anos, venho tentando preservar um pouco de sua obra musical,algumas vezes exibidas publicamente como no Cd 'Choro Paraense' editado pela Secretaria de Cultura do Pará onde foi gravado o meu chorinho Fá-Fátima, outra com um belo painel no Mangal das Garças com parte da letra de uma de suas mais representativas músicas: Mestre Calafate. Beka, foi um homem preocupado com a preservação do meio ambiente amazônico que ele tanto amava. Há mais de 30 anos, ele já falava em seus versos da cobra cipó que se enrosca amorosamente nas árvores e a defende dos "dentes ruins quer te serrar". Coloquei fotos de Muaná ao lado, porque foi onde passou parte da infancia e amava tudo de lá, usava em sua poesia uma linguagem regional aprendida no Marajó ,com um ritmo de carimbó bem urbano o que resultava numa linda conjugação musical.Cantou muito sua terra, mas era apaixonado também por samba e chorinho ,por isto coloquei à direita algumas das músicas que ele tocava na rua 16 de novembro em memoráveis rodas de samba e onde moravam seus tios queridos Nanete e Orlando e seus primos-irmãos companheiros de música. Ainda bem que parte de sua obra está gravada no Museu da Imagem e do Som de Belém.Teve um belo samba gravado pelo Nazo, que foi marido de sua prima e tinha um conjunto chamado "Suvaco de Cobra", Nazo um dos responsáveis pelo Arraial do Pavulagem, já foi embora e deve estar com o Beka lá em cima trocando figurinhas musicais. Foi com o samba "oh Flor" gravado no CD do Nazo , que o Beka concorreu aqui no Rio de Janeiro à membro da Ala de compositores da Portela, outra de suas paixões.Bom, como diz o poeta Amazônico Thiago de Melo, artistas não morrem , se encantam. Então, tenho a certeza de que ele vive entre Rio e Pará, soprando intenções musicais nos ouvidos de novos bons compositores...beijos Beka e inté uma hora destas...
Darcy Ribeiro-O povo brasileiro



"O primeiro brasileiro consciente de si,foi,talvez ,o mameluco, esse brasilíndio mestiço na carne e no espírito, que não podendo identificar-se com os que foram seus ancestrais americanos- que ele desprezava- e sendo objeto de mofa dos reinóis e dos lusonativos, via-se condenado à pretensão de ser o que nao era nem existia: o brasileiro. " e terminando seu livro em 1995, Darcy profetiza:" estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da terra" / fotos Alice kohler e Herbert marcus.
A Pantera


A Pantera era paraense (por isto coloquei esta bela foto da casa em cima de um igarapé, by Herbert), ela se perdeu da mãe ainda mamando, e eu e Mauro alimentávamos ela de mamadeira, penso que por isso nos elegeu (gato é assim,não ama qq um) como seus preferidos, dormia ou perto dele, ignorando meus outros filhos, ou perto de mim. Viveu durante 17 anos e acompanhou nossas idas e vindas Belém-Rio nas décadas de 80 (quando fui cedida à Tv Educativa) e em 90 quando fui transferida para cá. Nem por isso perdeu o jeitinho dengoso da femea do Pará, quando eu chegava do trabalho ela olhava bem nos meus olhos e se percebia neles qualquer tristeza, vinha carinhosamente mexer em meus cabelos com suas patinhas, se eu viajava, quando chegasse era certo de encontrar alguma planta desenterrada do vaso ou qualquer outra malcriação, era a forma dela protestar! mas, o tempo passa inexoravelmente e passou para ela também. Foi muito triste vê-la definhar e finalmente morrer sendo acalmada e acariciada por mim. Foi enterrada no meio da Mata Atlântica na Floresta da Tijuca pelo Mauro para não se sentir muito distante da região onde nasceu...tomara como nas lendas Amazônicas, tenha se transformado numa linda planta!
Vocabulário Paraense!!


No resto do Brasil 'desmentido' significa esclarecer um fato, ou seja , repor a verdade, por exemplo : vou desmentir as palavras dela! mas, no Pará é diferente, 'desmentir' significa também que uma parte do corpo( dedos, braço, perna,etc) sofreu uma torção e portanto está 'desmentida'. Um amigo paraense que mora no Rio e que costumava jogar voley em uma rede em Copacabana, um dia chegou lá e disse não poder jogar pois estava com o dedo 'desmentido' e ninguém entendeu nada pois membros do corpo nao falam né? portanto não podem mentir..rsrssss..eu de vez em quando falo neste vocabulário para delícia e diversão dos meus amigos.
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